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Ensaio Ducati Streetfighter V4 S de 2020 – Simbiose perfeita entre tecnologia de competição e facilidade de condução

Publicado por Standocasião há 2 meses

Foi precisamente essa a primeira sensação que tivemos, a de estarmos perante uma moto que deriva directamente da alta competição, já que a sua irmã, a Superdesportiva  Ducati Panigale V4 S, da qual herda praticamente tudo, motor, ciclística e parte da sua estética, é também fruto de toda a experiência adquirida pela Ducati no MotoGP e nas SBK.

E se a Streetfighter original que data de 2009 era uma espécie de puro sangue indomável que, ao simples rodar do punho, nos transmitia toda a sua rebeldia, levantando constantemente a roda dianteira, a nova versão S de 2020 da Streetfighter V4, com apenas 178 Kg a seco e 205 cv de potência, com regimes de rotação que atingem o redline às 14.500 rpm, vem-nos agora demonstrar que os cavalos também são domáveis e que graças à sua sofisticada electrónica podemos decidir que “animal” vamos querer montar.

Foi por isso todo um processo de descoberta que, conhecendo à partida todas as suas características técnicas e o enorme potencial da sua mecânica, com curiosidade, levámos a cabo o teste da nova Ducati Streetfighter V4 versão S, a mais sofisticada, que monta suspensões semi-activas da Ohlins, travões Brembo Stylema e jantes maquinadas da Marchesini.

A confiança que gradualmente fomos adquirindo na sua pilotagem levou-nos a querer testá-la em situações mais extremas pelo que a sessão final foi realizada no Autódromo do Estoril, local onde, em total segurança, pudemos perceber melhor o seu desempenho ao limite, reduzindo as ajudas electrónicas e optando por selecionar o modo Race para conseguir algumas das manobras realizadas.

Primeira impressão

O impacto visual causado pela Streetfighter V4 S da Ducati é inquestionável. Estamos perante uma moto com mais de 200 cv com uma estética fluida e agressiva que revela o estilo das Ducati Superdesportivas como se de uma verdadeira moto de competição se tratasse que despida das suas “roupas” de circuito revelasse agora todos os seus segredos mais íntimos.

Mas não é amor à primeira vista pois é difícil captar maior atenção e conquistar créditos à sua irmã Panigale . No entanto a Streetfighter reserva os seus trunfos para quando nos dá a mão e nos convida a conhecê-la melhor, voando nas suas asas de bi-plano sabiamente colocadas para a dotar de estabilidade e segurança acrescidas.

Ao nos sentarmos aos comandos da Ducati Streetfighter V4 S esta revela-nos uma sensação inesperada, a de um conforto extra proporcionado por um assento largo e ergonómico e de uma posição natural e erguida, graças à colocação alta do seu guiador e sem as pernas demasiado dobradas por força da boa colocação das peseiras. Toda esta realidade de conotação “user friendly” surpreendeu-nos numa moto de nome “Streetfighter” que deriva directamente de uma das Superdesportivas com melhor desempenho mercado.

Esteticamente sobressaem as asas bi-plano já referidas, as suspensões Ohlins invertidas NIX 30 de 43mm semi-activas com travões Brembo Stylema com discos de 330mm. Um belíssimo monobraço traseiro monta amortecedor também Ohlins TTX36 e jantes Marchesini maquinadas com pneus Pirelli Diablo Rosso Corsa II.

Motor e transmissão

A Ducati Streetfighter monta o mesmo motor V4 de 1103cc  Desmosedici Stradale a 90º da sua irmã carenada Panigale V4 apenas diferindo no mapa e na relação e na transmissão final mais curta. A sua potência máxima de 205 cv é atingida às 12.750 rpm, já próximo do redline às 14.500 rpm. O binário máximo 123Nm é atingido antes, às 11.500 rpm no entanto uma distribuição de binário ao longo de todos os regimes, desde os mais baixos aos mais altos, foi conseguida pela Ducati com um mapa diferente da sua irmã Panigale, dotando a Streetfighter de mais binário disponível nos baixos e médios regimes.

Na prática o motor mostra-se bastante suave e progressivo entre as 3.000 rpm e as 7.000 rpm  passando a explosivo a partir das 9.000 rpm onde existe já uma entrega de 90% do binário. Um excelente desempenho do acelerador ride-by-wire permite-nos dosear com precisão a aceleração e rodar de forma suave nos regimes mais baixos tornando a Streetfighter surpreendentemente utilizável em ambiente urbano.

A transmissão final foi reduzida de 1 dente no pinhão de ataque e aumentada de 1 dente na cremalheira tornando-se assim mais curta face à transmissão da Panigale V4 e dotando a Streetfighter ainda de melhor resposta nos baixos regimes realidade que pudemos comprovar numa utilização diária, com trajectos no trânsito e em cidade, que realizámos durante os primeiros dias de ensaio.

Electrónica e ajudas à condução

A Ducati Streetfighter integra o mesmo pacote de electrónica da sua irmã superdesportiva, com a opção de escolha entre 3 modos de motor, Street, Sport e Race.  O primeiro modo confere uma entrega de potência realmente progressiva e controlável, com diminuição evidente da potência máxima disponível e com intervenção máxima das restantes ajudas electrónicas; Controle de Tração EVO 2, ABS em Curva, Controle de Cavalinho EVO, Controle de derrapagem da roda traseira EVO, controle de travagem EVO. Rodámos quase sempre em modo Street pois o mesmo proporcionava um maior conforto das suspensões semi-activas e uma maior suavidade e controle na aceleração. O modo Sport  endurece as suspensões e torna a resposta do motor mais evidente, desligando em simultâneo o ABS da roda traseira. O modo Race foi exclusivamente utilizado na nossa passagem pelo Autódromo do Estoril para realização de algumas manobras mais radicais que iremos comentar mais adiante.

Além de toda a electrónica disponível a Streetfighter conta ainda com outras ajudas à condução como seja a caixa de 6 velocidades com Quick-Shift bidirecional que nos permite passar caixa sem utilizar a embraiagem, função que revelou suavidade em aceleração mas a exigir alguma habituação nas reduções.

Ciclística, Quadro, Suspensões, Rodas e Travões

A Streetfighter monta um quadro em alumínio que utiliza o motor como elemento de reforço estrutural. O sub-quadro em trelissa está fixado no topo do quadro principal e na sua base, por debaixo do assento, ao topo das cabeças posteriores do motor V4 contribuindo assim para a redução do peso global da moto.

As suspensões dianteiras semi-activas da Ohlins funcionam na perfeição com a electrónica da Ducati e ajustam-se em função dos diferentes modos selecionados. Na versão Street mais soft proporcionam um enorme conforto e uma leitura precisa da estrada absorvendo de forma super eficaz todas as imperfeições da estrada e tornando a condução da Streetfighter muito agradável .

Na traseira encontramos um amortecedor Ohlins TTX36 semi-activo. manualmente ajustável em pré-carga de mola. O comportamento da suspensão traseira é também irrepreensível, com um desempenho de excelência e proporcionando trajectórias de enorme precisão.

Os travões são de última geração da Brembo com pinças monobloco Stylema  M4.30 com discos de 330mm e uma mordida eficaz para parar os 205 cv da Streetfighter. Bom tacto e progressividade mas também efectividade quando necessária. Nas ajudas electrónicas podemos também contar com diferentes níveis de travão de motor e ABS de última geração  com intervenção em função da inclinação da moto.

As jantes maquinadas da Marchesini, mais leves do que as jantes forjadas da versão Streetfighter normal, montam pneus Pirelli Diablo Rosso Corsa II, pneus que se mostraram adequados para as características desportivas da moto, com uma boa aderência em diferentes superfícies e a proporcionar uma enorme estabilidade e segurança em curva.

Equipamento e Opcionais

Graças ao novo IMU de 6 eixos, proveniente directamente da Panigale V4, a Streetfighter demonstra um controle absoluto de todas as suas variáveis e funcionalidades, permitindo, para além dos 3 modos de motor disponíveis pré configurados, Street, Sport e Race, ajustes na aceleração, no controle de tração, no ABS em curva,  no controle de cavalinhos, no controle de derrapagem e no controle de arranque, tudo facilmente configurável a partir do punho esuqerdo e perfeitamente visível no painel TFT a cores de 5”.

A Ducati tem uma série de equipamentos opcionais disponíveis para a sua Streetfighter nomeadamente um escape racing que permite aumentar ainda mais a potência da moto e diminuir o seu peso, um kit de embraiagem seca ou um kit de jantes de magnésio ainda mais leves, entre outros acessórios disponíveis no catálogo de acessórios oficiais da marca.

Sessão Especial no Autódromo do Estoril

Quisemos perceber as diferenças reais de comportamento em relação à Streetfighter original de 2009 já que esta última apesar de ter uma potência bastante inferior era conhecida por querer rodar apenas na roda traseira .

Para testarmos ao limite a Streetfighter decidimos fazê-lo num ambiente controlado e de segurança máxima pelo que surgiu a possibilidade, após contactos com a sua direção, de realizarmos uma pequena sessão no espaço do Autódromo do Estoril, realidade que desde já agradecemos uma vez mais a abertura da Direção do Circuito por nos facilitar a utilização do seu espaço de boxes e Pit Lane.

Mantendo um espírito de controle absoluto, até por que uma moto que custa perto de 25.000 euros, tem que ser cuidada dentro dos limites das responsabilidades que nos são atribuídas pelos representantes da marca quando da sua cedência. Assim decidimos não correr riscos e convidar quem consegue levar a cabo determinadas manobras com controle absoluto. Paulo Oliveira, amigo de longa data, mestre em todo o tipo de stunts em duas rodas, mostrou-nos de que forma é possível levar a Streetfighter aos seus limites mas também a capacidade que toda a sua ciclística, motor e ajudas electrónicas têm para, apesar das manobras extremas realizadas, conseguir manter e assegurar o controle da moto.

Entre potência, binário e a electrónica para assegurar o controle necessários, na Streetfighte está tudo lá e apenas falta o “kit de unhas”.  No entanto as manobras mais radicais pareciam ser realizadas com uma enorme facilidade uma vez encontrado o “ponto” da Streetfighter que, segundo Paulo Oliveira, se situava nos médios regimes, entre as 7.000 e as 9.000 rpm… depois disso, melhor não, só mesmo em pista aberta, realidade que não pudemos infelizmente comprovar.

Um possível teste num eventual TrackDay terá de ficar para próxima pelo que ficámos todos a desejar realizar também essa experiência pois o fantástico desempenho da Streetfighter em pista já estava naquela altura bem presente no nosso imaginário.

Conclusão

A Ducati Streetfighter V4 S é daquelas motos que marcam uma época, o antes e o depois, dada a importância que a mesma tem para a marca e o desempenho que o modelo perspectiva, tanto em termos dinâmicos como de mercado, num segmento de motos HyperNaked cada vez mais concorrido.

A impressionante combinação de componentes de altíssima tecnologia, começando pelo motor V4proveniente da alta competição,  passando pelas suas suspensões semi-activas da Ohlins e travões de última geração da Brembo, com jantes Marchesini e toda a tecnologia de competição que se manifesta sobretudo nas ajudas electrónicas da moto, tornam esta hypernaked numa séria candidata à liderança do seu segmento.

A Ducati refere que limitou a velocidade máxima da sua Streetfighter aos 290 Km/h pelo simples facto de ser uma naked e não oferecer qualquer proteção aerodinâmica na sua condução. De qualquer forma 290 Km/h já exigirá certamente um esforço excepcional dos músculos do nosso pescoço e braços e não será para qualquer um. Talvez um pouco de mais proteção pudesse ser bem vinda e justificável tal como acontece coma Aprilia Tuono por exemplo.

Esteticamente e na nossa opinião os painéis laterais a cinzento que cobrem as laterais dos radiadores parecem-nos de excessiva dimensão, sendo que um acabamento parcial à cor vermelha da moto criaria um melhor efeito. Outra opção de cor tal como apresentada recentemente para a Panigale V2 seria também bem vinda. ( White Rosso ).

Gostámos

  • Efectividade e sofisticação das ajudas electrónicas
  • Progressividade na entrega de potência nos baixos regimes
  • Desempenho geral da moto
  • A excelente qualidade de todos os seus componentes
  • Conforto de+o assento e posição de condução

A Melhorar

  • Proteção aerodinâmica inexistente
  • Frente minimalista
  • Radicalidade do lugar do pendura
  • Pouca visão nos retrovisores

Ficha técnica

Motor

Tipo - Tetracilíndrico, Desmosedici Stradale V4
Cilindrada -
1103 cm3
Potência -
208 cv
Rotação da potencia máxima
- 12750 rpm
Binário -
123 nm
Rotação do binario maximo
- 11500 rpm
Nº de cilindros - 4
Disposição - V
Distribuição -desmodrómica
Valvulas por cilindro
- 4
Alimentação -
Injecção electrónica, dois injectores por cilindro, corpos elípticos, Full Acelerador - Ride by Wire
Refrigeração
- Líquida
Diametro X Curso
- 81 x 53.5
Taxa Compressão
- 14.0:1

Transmissão

Transmissão - Corrente
Embraiagem
- Húmida, multidisco
Acionamento
- Hidraulico
Numero Velocidades
- 6
Caixa de velocidades
- Ducati Quick Shift (DQS) up/down EVO 2

Quadro

Tipo de quadro - Em alumínio, tipo "Front Frame"
Angulo coluna direcção
- 24.5 º

Suspensões

Suspensão dianteira - Forquilha Öhlins NIX30 de 43 mm
Curso dianteiro
- 120 mm
Regulações dianteiras
- Sim
Suspensão traseira
- Amortecedor Öhlins
Curso traseiro
- 130 mm
Regulações traseiras
- Sim

Travões

ABS - Sim
Travões dianteiros
- Duplo disco
Diametro discos dianteiros
- 330 mm
Pinças dianteiras - 4 êmbolos
Travões traseiros
- Disco
Diametro discos traseiros
- 245 mm
Pinças traseiras - 2 êmbolos

Rodas/Pneus

Jante Dianteira - Marchesini alumínio maquinado, de 3 braços
Diametro da jante dianteira - 17 "
Medida pneu dianteiro - 120/70 ZR17
Jante Traseira - Marchesini alumínio maquinado, de 3 braços
Diametro da jante traseira -17 "
Medida pneu traseiro -
200/60 ZR17

Dimensões

Distância entre eixos - 1488 mm
Altura do assento - 845 mm
Capacidade do deposito - 16 L
Trail - 100 mm
Peso a seco
- 178 kg
Peso em marcha - 199 kg

PVP Versão Streetfighter V4 S - 23.545 € / Versão normal V4 - 20.345 €
Garantia - 24 meses, sem limite de quilometragem

Manutenção - Intervalos de 12.000 km / 12 meses

DUCATI STREETFIGHTER V4 versus CONCORRÊNCIA

APRILIA TUONO 1100 Factory     1100 cc / 175 cv / 209 Kg / 18.874 eur
BMW S1000R Sport     1000 cc / 165 cv / 205 Kg / 14.626 eur
KAWASAKI Z H2 Premium     998 cc  / 197 cv / 231 Kg /  18.990 eur
KTM 1290 Super Duke R      1301 cc / 179 cv / 207 Kg / 19.943 eur
Triumph Speed Triple RS     1050 cc / 150 cv / 192 Kg / 16.300 eur

Galeria de Imagens Ducati Streetfighter V4 S

Equipa

Piloto Stunts - Paulo Oliveira / Piloto convidada - Margarida Salgado / Fotógrafo - Pedro Messias / Equipa de Produção - 200 / Teste realizado por Pedro Rocha dos Santos

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