Comparativo BMW F 900 XR versus Yamaha Tracer 900 GT – Duas “Crossover” referência no segmento de média cilindrada.

Publicado por Standocasião há 1 semana

Com a apresentação este ano da nova BMW F 900 XR, irmã da mais radical F 1000 XR , quisemos perceber quais os seus reais atributos face a aquela que lidera o segmento e contra a qual a marca bávara decidiu competir com um novo modelo específico e apontado ao sucesso da Yamaha Tracer 900, no caso deste comparativo a versão GT aquela que vem mais equipada de origem.

Introdução

O conceito “crossover” é uma designação recentemente adoptada que define o potencial e a versatilidade de um determinado veículo, seja moto ou automóvel, para rodar em múltiplas circunstâncias e condições de estradas. Assim também os conceitos “Sport Tourer” ou “Adventure Sport” podem encaixar na tipologia destes dois modelos, realidade à qual as próprias marcas fazem referência, inclusivamente e por curiosidade, posicionando os dois modelos em segmentos distintos da sua gama.

A BMW F 900 XR, por exemplo, aparece catalogada no site da marca como uma moto do tipo “Adventure” enquanto que a Yamaha define a sua Tracer 900 como uma “Sport Touring”.  De facto os dois conceitos misturam-se e não existe uma linha definida e nítida que separe de forma clara os dois conceitos, razão pela qual pensamos que a designação “Crossover” acaba por ser mais abrangente.

BMW F 900 XR

O conceito de uma “Maxi Trail Sport” não é exclusivo das motos modernas. Aliás, na nossa opinião, foi a própria Yamaha com a sua TDM, no inicio dos anos 90, que fez nascer o conceito de “Sport Tourers” utilizando os motors bicilíndricos das Maxi Trail  Yamaha XTZ Super Ténéré 750 , motos que disputavam na altura a mítica prova do Paris-Dakar, com a cilindrada aumentada para os 850cc, passaram a equipar o novo modelo Sport Tourer, a TDM 850.

O conceito foi definido desde então pela marca japonesa e seguido posteriormente por muitas outras marcas que acreditaram no conceito, a exemplo da Ducati com a sua primeira Multistrada já no início da primeira década de 2000. Eram motos fáceis e práticas de conduzir, com temperamento desportivo mas ao mesmo tempo confortáveis para viajar e utilizar no dia a dia. Menos pesadas e menos altas que as versões maxi-trail e com rodas que montavam jantes de liga de 17”.

Yamaha Tracer 900 GT

As Yamaha Tracer são as dignas herdeiras do legado TDM que viu precisamente a sua cilindrada crescer até aos 900 cc até ser descontinuada nos finais de 2000.  A actual crossover da Yamaha, a Tracer 900, utiliza um motor tricilíndrico de tipologia “Crossplane” que tem conseguido obter um enorme sucesso para a marca e que é utilizado em variadíssimos modelos, como na Naked MT-09, na neo-clássica XSR 900 e inclusivamente na revolucionária Niken de 3 rodas.

A BMW F 900 XR é a versão mais recente da marca alemã do conceito Adventure Sport, conceito onde a marca tem vindo a estabelecer–se desde 2015 com uma das referências de topo do segmento que é a sofisticada e potente (160 hp)  BMW S 1000 XR, modelo que sofreu também uma renovação neste ano de 2020.

Quisemos por isso perceber até que ponto a BMW tinha sido capaz de desenvolver a sua 900 XR para se bater com a líder do segmento a Tracer 900 e que argumentos é que a mesma traria para se poder afirmar como alternativa de facto.

Primeira impressão

À primeira vista as duas motos apresentam um estilo semelhante, uma estética bem conseguida, com frentes agressivas, sendo que a BMW 900 XR apresenta linhas de inspiração clara na sua irmã maior. A Tracer 900 mantém linhas igualmente agressivas, especialmente bem conseguidas do ponto de vista estético nesta combinação de cores que testámos, a cor Tech Black.

As duas motos partilham conceitos em termos da definição e adopção dos diferentes componentes, écrans frontais reguláveis, guiadores com punhos colocados altos, posições de condução confortáveis (aparentemente) , painéis de informação claros com especial referência para a grande dimensão e qualidade do TFT da BMW, jantes de 17”, portanto mais orientadas para uma utilização em estrada do que fora da mesma, com pneus de perfil adaptado ao tipo de utilização, escapes colocados em posição baixa no caso da Yamaha e colocado lateralmente no caso da BMW,  suspensões de boa qualidade, sendo as da Yamaha telescópicas ajustáveis e as da BMW invertidas não reguláveis. Travões com excelente desempenho em ambos modelos com destaque para os Brembo da BMW.

Enfim, motos com um perfil muito semelhante em que apenas a sua utilização permitiria perceber as diferenças e as virtudes de cada uma. No caso da Yamaha Tracer 900 optámos por testar a versão topo de gama, a versão GT, que é a mais equipada, pois inclui uma série de equipamentos standard que são opcionais no caso da BMW, realidade a que a marca bávara já nos habituou sendo que as suas motos estão normalmente disponíveis no versão mais básica a qual se podem adquirir uma série de pacotes extra opcionais que representam um custo acrescido.

Motores

O motor da Yamaha é o conhecido tricilíndrico de 847cc de tipologia “Crossplane”, um motor que atinge uma potência máxima de 115 cv às 10.000 rpm, com um binário de 87,5 Nm às 8.500 rpm e que confere um temperamento explosivo à Tracer, com subidas rápidas de rotação e com um binário linear desde os baixos regimes, permitindo rodar em 6ª às 2.000 rpm e sair apenas com o rodar do punho. Um motor que gosta de alta rotação e que confere uma atitude desportiva à pilotagem da Tracer 900. A Tracer 900 monta caixa de 6 velocidades com função de QuickShift apenas a subir de mudanças e não bi-direcional.

A BMW 900 XR pelo seu lado monta um motor bicilíndrico paralelo de 895 cc, mais 500 cc que a Tracer, com 105 cv de potência máxima às 8.500 rpm ( menos 10 cv que a Tracer ) e com um binário máximo de 92 Nm atingido logo às 6.500 rpm o que quer dizer que a a  900 XR tem uma resposta mais redonda e cheia nos baixos e médios regimes, realidade que pudemos comprovar e aprovar, sobretudo na sua condução em cidade, onde raramente abrimos totalmente o acelerador e rodamos com o punho mais fechado. Muito suave na entrega da potência graças ao setup inicial do seu acelerador Ride by Wire, que a partir de meio parece fazer acordar o motor da XR e mostrar toda a sua pujança. Reparem que este motor deriva da versão montada na 850 mas é um motor inteiramente novo onde uma ínfima parte de componentes são partilhados.

Apesar de um binário máximo mais expressivo da BMW 900 XR, atingido a um regime de cerca de 2.000 rpm mais baixas, o motor da Tracer 900 pareceu-nos subir mais rápido de regime e querer esticar mais rapidamente até atingir o redline. O motor da 900 XR tem uma entrega de potência mais linear, o que o torna mais redondo e mais agradável de conduzir sobretudo nos regimes baixos e médios. Se aquilo que procura é uma resposta imediata e vigorosa do motor para proporcionar uma condução mais desportiva e agressiva, então o tricilíndrico da Yamaha talvez esteja mais à altura dessa expectativa.

A caixa de 6 velocidades da Tracer conta com embraiagem assistida e deslizante e função Quickshift uni-direcional realidade que aumenta o conforto da sua utilização e elimina brusquidão e favorece a suavidade nas passagens de caixa.

Ciclística, Quadro e Suspensões

A BMW 900 XR monta suspensões dianteiras invertidas de 43mm não reguláveis e com um curso de 170mm. A TRACER 900 monta suspensões telescópicas, reguláveis mas apenas com 137mm de curso. Esta realidade, a do diferente curso de suspensões pode ser ser suficientemente diferenciadora para fazer um a distinção entre a tipologia das duas motos e justificar porque é a BMW classifica a sua XR como uma Adventure e a Yamaha classifica a sua Tracer como uma Sport Tourer.

De facto em termos de utilização a BMW apesar de não ter regulação revelou um melhor desempenho em termos de ser capaz de manter um comportamento aceitável em estradas de piso degradado, inclusivamente ter um comportamento razoável em estradões de terra e gravilha, justificando assim a aposta da BMW num maior curso das suas suspensões, dianteira e traseira, para aumentar o conforto e a abrangência da sua utilização. A Tracer conta com suspensões algo mais firmes, apropriadas para o seu desempenho desportivo e para uma utilização mais agressiva em estrada.

A BMW 900 XR tem como opção um amortecedor traseiro semi-activo, regulável electronicamente em dois modos, Road e Dynamic, e ajuste automático de pré-carga de mola em três posições diferentes apenas com o toque de um botão. Esta realidade é um opcional que obviamente representa um custo acrescido, no entanto para quem gosta de viajar habitualmente com pendura e bagagem acaba por ser um opcional extremante útil pois facilita todos os ajustes necessários em função do peso que pretendemos colocar na moto num momento determinado e que segundo a marca poderá ir até aos 219 Kg .

Na Yamaha as suspensões são ajustáveis manualmente sendo que as baínhas incluem funções separadas de ajuste, sendo no lado direito o ajuste de compressão e na baínha do lado esquerdo o ajuste de extensão. O amortecedor traseiro pode também ser ajustado na pré-carga de mola apenas com o rodar de um manípulo. Opções electrónicas, ou semi-activas, não existem, sendo assim uma solução mais simples, igualmente eficaz e menos onerosa.

As duas motos revelaram montar chassis adequados à especificidade do seu desempenho, sendo que a BMW XR privilegia a sua agilidade e facilidade de condução e o da Tracer GT uma maior rigidez e firmeza aumentando a estabilidade numa condução mais desportiva.

Travões, Jantes e Pneus

A BMW 900 XR monta travões de duplo disco na dianteira com diâmetro de 320mm, próprios de uma moto desportiva, e pinças Brembo de 4 pistons. Os Brembo revelaram uma excelente precisão e tacto de travagem, sem serem demasiado agressivos e permitindo dosear a travagem em função das necessidades e circunstância demonstrando um bom tacto e eficiência. A Yamaha conta também com dois discos na dianteira de 298 mm  e pinças radiais de 4 pistons e a travagem é igualmente efectiva e progressiva, ao nível dos travões Brembo da 900 XR.

As duas motos montam jantes de alumínio de 17”, à frente e atrás, com pneus de dimensões idênticas, 120/70-17” à frente e 180/55-17” atrás. A BMW 900 XR monta pneus Bridgestone T 30 e a Tracer 900 Dunlop 222, estes últimos a acusar já alguma veterania e a limitarem o desempenho e potencial desportivo da Tracer.

Electrónica e ajudas à condução

Em termos de electrónica ambas montam ajudas neste campo sendo que a Yamaha inclui o pack electrónico D-Mode que inclui 3 modos de motor selecionáveis e assim como 3 níveis de Controle de Tração ( TCS ) garantindo maior segurança em função das condições da estrada ou do tipo de condução pretendido.

A BMW 900 XR vem apenas com dois modos de motor, Road e Rain, e inclui o sistema ASC de Controle Automático de Estabilidade e ABS da BMW Motorrad. Como opção podemos adquirir o ABS Pro que inclui ABS em curva, os Modos de motor Pro que incluem Pro Rain, Road, Dynamic e Dynamic Pro, ainda o HSC Pro de ajuda em subidas, o Controle de Tração Dynamic DTC, e o MSR que permite controlar o Travão de Motor. Todas estas funcionalidades estão disponíveis como opção e acrescem no preço final.  

Adicionalmente e como opção na BMW 900 XR também estão disponíveis os punhos aquecidos, o Cruise Control, o descanso central e um écran mais alto ajustável, elementos que vêm de origem e incluídos no preço da Yamaha Tracer 900 Versão GT que ainda inclui as malas laterais à cor da moto.

Equipamento

Aqui, como já referimos anteriormente, a BMW tem uma lista interminável de opções que permitem dotar a 900 XR de todo o tipo de funcionalidades, práticas e electrónicas, mas claro sempre com um acréscimo de preço podendo a versão final superar os 14.000 euros.  A Tracer 900 pelo seu lado inclui uma série de opções como standard na versão GT o que valoriza o modelo e mantém o preço final mais atractivo.

Painel BMW F 900 XR TFT a cores

Em termos de equipamento importa referir que a BMW 900 XR inclui um painel TFT a cores de grandes dimensões, que são referência no segmento, talvez apenas igualadas pelo painel TFT da nova Triumph Tiger 900. A leitura da informação é clara e precisa, muito completa e fácil de navegar para quem esteja habituado ao disco rotativo situado no punho esquerdo e habitualmente montado em todas os modelos da gama GS da BMW.

O painel da Yamaha é de dimensão mais reduzida contendo no entanto toda a informação necessária e igualmente de leitura fácil e nítida.  A navegação é algo atípica sendo que os diferentes botões situam-se em locais atípicos e a obrigar a alguma habituação, o que não deixa de ser normal.

Painel Yamaha Tracer 900

A Yamaha Trace 900 versão GT inclui como já referimos uma série de equipamento de origem que valoriza o modelo nomeadamente os punhos aquecidos, o cruise control, o Quickshift de mudanças, as malas laterais à cor do modelo, o descanso central e assentos mais confortáveis para o condutor e passageiro.

Conclusão

É difícil definirmos um vencedor neste comparativo pois no final sentimos um grande equilíbrio entre os dois modelos com diferenças que advêm das diferentes opções de equipamento que montam e do desempenho das suas ciclísticas e motorizações.

Yamaha Tracer 900 GT

Na nossa perspectiva a personalidade de cada potencial comprador e o objectivo da sua utilização acabará por definir sobre qual  irá pender a decisão de compra. A BMW 900 XR é uma moto que nos transmite uma maior sensação de agilidade, mais suave na entrega da potência do seu motor , talvez também mais redonda nos baixos e médios regimes, confortável e com um assento original mais baixo, podendo ser colocado em duas posições 810/825 mm o que permite chegar com facilidade com os pés ao chão. Em termos de proteção aerodinâmica sai penalizada numa utilização em auto-estrada devido à pouca altura do écran original, mesmo colocado na posição mais alta. Pelos valores do seu consumo real pareceu-nos ser ligeiramente mais económica que a Tracer 900 embora a menor capacidade do seu depósito, 15,5 l para 18 litros da Tracer, acabe por penalizar a sua autonomia.

BMW F 900 XR

Já a Yamaha Tracer 900 GT beneficia de um motor tricilíndrico que é toda uma referência em termos de desempenho e prestações, um motor que sobe muito rapidamente de regimes e leva qualquer um a explorar os seus limites. Ciclística de topo e acabamentos de enorme qualidade são também uma referência da Tracer. Uma posição de condução mais agressiva, com as peseiras mais recuadas e um a assento mais duro, penalizam um pouco o conforto em viagem, realidade que beneficia no entanto de um écran mais alto e de melhor proteção aerodinâmica do que na BMW 900 XR.

As suspensões da BMW 900 XR, pelo seu maior curso, permitem uma utilização mais abrangente uma ou outra incursão for a de estrada condicionada obviamente pelo o limite de aderência dos seus pneus. Em condução desportiva em estrada têm maior tendência em afundar na travagem à entrada das curvas do que a a Tracer 900 que se revela mais estável e firme, garantindo trajectórias perfeitas e aumentando a fluidez na condução em percursos sinuosos rápidos.

BMW F 900 XR

A política da BMW em matéria de opções pode obviamente penalizar o seu preço final se quisermos igualar a Yamaha em termos de funcionalidades e equipamento pelo que nesta matéria existe essa condicionante e alguma vantagem por parte da Yamaha embora o sistema de financiamento da BMW possa facilitar o ultrapassar alguma limitação de budget ou alguma racionalidade de pensamento à hora de fazermos comparações.

A BMW á a novidade, aquela que chega depois e que já sabe com quem se irá confrontar. Existem argumentos de parte a parte uma supera a outra em determinadas matérias. A Tracer 900 versão GT simplifica a decisão de compra pois já traz praticamente tudo aquilo que podemos necessitar, talvez apenas a faltar uma “top case” para viajarmos com maior capacidade de bagagem.  A Tracer 900 XR obriga-nos a um maior exercício de definição do seu setup ideal e talvez a obrigar-nos a assumir mais uns euros por termos a última novidade em matéria de Sport Tourer ou Adventure Sport, definitivamente Crossover.

Preços, Cores 2020 e Destaques

BMW F 900 XR  Preço Base 11.998.- eur

Cores 2020 Branco Light, Red Sport e Gold Exclusive

Gostámos

  • Estética
  • Agilidade
  • Conforto

A Melhorar

  • Proteção Aerodinâmica
  • Equipamento versus preço final

Yamaha Tracer 900   Preço Base 10.750.- eur

Yamaha Tracer 900 GT  Preço Base 12.750.- eur

Cores 2020 Tech Black e Icon Grey  na versão Tracer 900

Cores da Versão GT Tech Black, Icon Black e Phantom Blue

Gostámos

  • Motor
  • Equipamento
  • Acabamentos

A Melhorar

  • Conforto
  • Painel TFT

Especificações Técnicas - Comparativo

Concorrência

Ducati Multistrada 950   937 cc / 113 cv /  227 Kg / 13.995 eur

MV Agusta Turismo Veloce   798 cc / 110 cv / 191 Kg / 16.990 eur

Triumph Tiger 900 GT    888 cc / 95 cv / 194 Kg / 13.300 eur

Galeria de Imagens do Comparativo

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